quarta-feira, 21 de julho de 2010

PÓS- FEMINISMO DE LADY GAGA

O dinamismo da comunicação nos meios de comunicação de massa criou com a história muitos ídolos, sobretudo os ícones pops. Entenda-se por ídolo pop um indivíduo que encanta as massas com a habilidade artística de que é capaz, sendo seu autor ou o mero representante de uma estética inventada por publicitários e estrategistas de produtos culturais.
A sociedade é capitalista e sua cultura é ligada interamente a lei de "mais valia", o consumo são inspirações sobretudo na concepções da estética pop.
Ou seja, meninas usarão roupas iguais de suas atrizes favoritas, bem como o corte de cabelo e ultimamente o conceito de atitude e moral. Assim a capacidade da cultura pop em moldar as massas. O ídolo age como o flautista de Hamelin conduzindo por certo efeito de hipnose uma quantidade sempre impressionante de pessoas. A propósito, entenda-se por massa um grupo de indivíduos que, ao se encontrar com outros, perde justamente a individualidade, tornando-se sujeito de sua própria dessubjetivação. Em outras palavras, ele é hipnotizado como se estranhamente desejasse sê-lo. A indústria cultural depende desse mecanismo, por meio do qual oferece ao indivíduo a oportunidade de se perder com a sensação de que está ganhando.

Lady Gaga certamente veio para nos lograr. Mas, como disse Walter Benjamin sobre livros (e também putas), muitas vezes a mercadoria vale muito mais do que o dinheirinho que pagamos por ela.

O desejo paradoxal das massas

É preciso ver que Lady Gaga, a despeito da qualidade boa ou má de si mesma e do que ela produz, vem a nó com números impressonantes.Se na internet seus vídeos são vistos por milhões de pessoas (certamente, quando você ler este artigo, os números serão ainda maiores) é porque ela mesma sabe – ou o diretor e roteirista de seus belos videoclipes, nos quais a quantidade aparece, seja na nota de dólar com o rosto de Gaga como no vídeo de “Paparazzi...

... seja em "Bad Romance nos índices na cena dos computadores – que se trata em sua obra a questão da quantidade mais até que a própria qualidade. A indústria cultural sempre tem na quantidade uma questão mais importante que a qualidade, apesar que a qualidade entra numa esfera de subjeção, ou seja, o que pode ter qualidade para mim não necessariamente será de qualidade para um outro indivíduo. Mas, se Lady Gaga sabe disso e não o esconde,é porque elevou a discurso uma irônia no qual denota e reconstrói  a o conceito da qualidade na industria de cultura de massas. Isso mesmo, o trabalho de Lady Gaga, nos faz pensar sobre a evolução da arte e da comunicação no mundo pop. Pensar é um grande exercício para entedermos as nuances deixadas por Gaga.



Uma estética pós-feminista e POP...

A obra da jovem Lady Gaga não é objeto descartável como a maioria das mercadorias promovidas no contextop da indústria e do mercado cultural. Se nos detivermos em sua música, em sua dança ou em sua imagem isoladamente, não entenderemos o todo da mercadoria. Por isso é necessário estar atento com a performance que ela realiza. A apreciação disto que devemos hoje chamar de obra-produto ou produto-obra deve começar por aí, tendo em vista que, acima de tudo, Lady Gaga não é uma simples performer mas sim uma performer totalmente versátil, que vai da delicadeza  garota alternativa à ninfa de cabaré. Não é por menos, Gaga construi em sua adolescência um repertório no qual ela se espelhava nas noites da mistificada Nova York. Onde ela alternavas suas horas na escola de moças, idas aos museus e os grandes shows noturnos. Um apanhado em tanto para costruir uma performer que agrega arte, cinema de diversas formas, passando pela dança e chegando a uma relação curiosa com um aspecto inusitado da produção contemporânea nas artes visuais. Lady Gaga tange em seus vídeos mais famosos questões que estão presentes na obra de artistas conteporaneos, pressupondo essa interação da arte como instrumento popular.

Hoje a arte contempla a volta do tema "mulher morta", tema esse que foi abordado no século 19, ele representava o impulso próprio do romantismo que via na mulher falecida e inválida um ideal, porém, agora retomado de modo irônico por diversas artistas contemporâneas. Gaga possui uma coragem maior que todos esses artistas na retomada do tema e no deboche cáustico, totalmente feminista. Enquanto as artistas debocham a mulher esteriotipadas que morrem por um homem, Lady Gaga mais audaciosa e corajosa da um passo bem a frente das artistas cultas:

No vídeo de “Paparazzi” fica exposto o amor-ódio que um homem nutre por uma mulher, a invalidez à qual ela é temporariamente condenada por sua violência e, por fim, uma vingança inesperada com o assassinato desse mesmo homem “Incitação à violência”, pensarão as mentes mais simples; feminismo como ódio aos homens”, dirá a irreflexão sexista acomodada, quando na verdade se trata de uma irônica inversão no valores do jogo simbólico que separa mulheres e homens. Se em Paparazzi” o deboche beira o perverso autorizado psicanaliticamente (a mulher sai da posição deprimida ou melancólica e aprende a gozar com seu algoz, que ela transforma em vítima);



em " Bad Romance”, (o vídeo mais visto de todos os tempos), mulheres de branco como noivas fabricadas e dançantes, surgem de dentro de esquifes futuristas para curar uma louca que chora querendo ter um (mau romance) com um homem. Um contraponto é criado no vídeo entre a imagem do rosto de Gaga, que por hora parece angelical como fosse seu próprio alterego, em contraposição ao caráter doentio da personagem da mesma Gaga de cabelos arrepiados.Entre eles a bailarina sensual junto de suas companheiras faz o elogio do corpo que é obrigado a se erotizar diante de um grupo de homens.



A noiva é queimada. Sobre a cama, no fim, a noiva como um robô um pouco avariado, mas ainda viva, contempla o noivo cadáver. A ironia é o elogio do amor-paixão, do amor-doença e morte ao qual foi reduzido o amor romântico pela estética pop da ninfa pós-feminista. O feminismo só tem a agradecer.



Em “Telephone”, a estética eleita é a da lésbica e da pin-up. Ambas criminosas. A primeira por ser uma forma de vida feminina que dispensa os homens, a segunda por ameaçá-los com uma estética da captura (a mulher-imagem-de-papel, a mulher “cromo”, a mulher-desenho-animado que configura o conceito do “broto”, do “pitéu”). No mesmo vídeo o personagem de Gaga compartilha com Beyoncé uma cumplicidade incomum entre mulheres.


Esse sinal é dado no meio do vídeo, quando Beyoncé vai resgatar Gaga na prisão e ambas mordem um pedaço de pão, que logo é lançado fora como algo desprezível. A comida mostra-se aí como o objeto do crime. O vídeo é mais que um elogio ao assassinato do mau romance, ou da vingança contra o evidente amor bandido de quem a personagem de Beyoncé quer se vingar. Trata-se de uma profanação da comida pelo veneno que nela é depositado. O amor bandido é morto pela comida, uma arma simbólica muito poderosa associada à imagem da mulher-mãe, da mulher-doação, dedicada a alimentar seu homem na antipolítica ordem doméstica.

As referências buscadas na arte 

Os vídeos de Gaga tem sentido irônico, porém não somente no sentido feminista vanguardista, exergo que a irônia de Gaga extrapola de forma proposital a busca do mercado para criar um ícone. A idéia de criação de um ícone moderno ficou evidente no final dos anos 90 até a 2008 quando Gaga apareceu. Havia uma idéia fixa para lançamento de um ícone feminino, que queria ou não, compila o movimento pop na indústria cultural.E nada mellhor que um ícone feminino, com exceção de Michael Jackson. Por outrora a exposição desse feminismo seria uma garantia de fascinação das mulheres, que nítidamente se enquadra  mais consumidoras que o homem na sociedade conteporanêa. Além do alvo feminino nas últimas décadas um grupo ganha força na cultura pop da sociedade a ponto de ingressar de vez em um público alvo desejado por vários mercados, os gays.

Antes de Lady Gaga a idéia de concepção de idolos pop no mercado fonográfico ficou evidente nos anos 80, ano qual o movimento da pop art crescia de forma considerável e refletia bruscamente na moldagem da sociedade do fim do século XX. Madonna levou o apelido de material girl no qual concebeu a imagem da garota consumista de poucos valores e anseio por indepedência. A imagem da Madonna foi super valorizada na formação das jovens dos anos 80.


 Com a receita exposta a idéia de criar um novo ícone foi buscado de maneira incansável, na idéia de criar uma substituta a altura de Madonna. Garotas problemas foi jogado ao público aos baldes. A mulher que seguia uma linha conservadora como uma virgem, crescia, estabelecia dependência e maturidade, e explorando sempre a sensualidade como trunfo do poder da mulher independente do século XX. Esse tipo de ícone foi mostrado por muitas artistas como Britney, Aguileira, Lindsay, Paris, Pink entre outras… Sabe então que a imagem mostrada não passava de performers e que o público mesmo acompanhando alguns sucessos dedicou-se a entender que a imagem muitas vezes enganadora estava de certa forma saturada. Eis então que apareceu Gaga com um intuíto de agregar valores artísticos e irônizando esse tipo de ícone pop.

 Ela faz uma releitura da art Pop, com simbologias e nuances que vão de Andy Warhol à Lichtenstein.



POP ART: A arte pop bebeu dos quadrinhos, e Lady Gaga bebe da arte pop. Das obras de Andy Warhol e Roy Lichtenstein, a cantora e o diretor Jonas Akerlund pegaram emprestados os enquadramentos, as cores saturadas, os diálogos econômicos, as onomatopeias em letras estilizadas e a inspiração para maquiagens e caracterizações marcantes. O cabelinho amarelo é foda.



DAVID LACHAPELLE: A estética do fotógrafo americano está em cada frame de Telephone. É uma receita que mistura surrealismo, cores estouradas, sensualidade explícita, humor nonsense e cenários  milimetricamente elaborados.





KILL BILL: VOL. 1: A pick-up amarela do filme de Quentin Tarantino, nomeada Pussy Wagon, tem forte presença no clipe. Mas há outros elementos comuns, como a briga entre mulheres que realmente sabem lutar, os closes nos pés de Gaga (Tarantino é podólatra assumido), a banalização da violência, os cenários genuinamente americanos e os diálogos espirituosos:


You know, Gaga, trust is like a mirror – you can fix it if it’s broke, but you can still see the crack in the motherfucker’s reflection.”

 THELMA & LOUISE: Este filme de Ridley Scott, lançado em 1991, mostra duas mulheres que caem na estrada para fugir do tédio e, depois, da polícia. Pelo caminho, elas colecionam crimes – homicídio incluído – e registram esse momento único de suas vidas com uma câmera Polaroid. Alguma semelhança com o clipe de Lady Gaga? Telephone tem alguns frames quase idênticos aos de Thelma & Louise.




Como se quisesse expor em seus vídeos aulas sobre arte e pop arte. Sabe-se que Gaga estudou artes plásticas e queria expor seus conhecimentos em seu trabalho musical. Digo que Lady Gaga é um ícone que construíu uma evolução da Pop Art e que será o marco do mundo fonográfico. Imagem e Som como a proposta da Pop Art, mas agora com a ferramenta real time, digital, 3D. Municiada disso aplica de forma veemente um estilo totalmente diferente das aspirantes a ícone pois ela congela o tempo e busca referências no leito musical e e recria um novo e que acredita ser o correto ícone atual. A mulher vista de forma andrógina, independente e que vê o lesbianismo uma forma de apagar um mau romance com um homem.

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